O que você sabe sobre a prevenção ao HIV?

Publicado em: 16 de junho de 2016

A camisinha é a mais completa forma de prevenção, no entanto, hoje, há outras opções para determinados casos

 

por Salvador Correa*

 

A principal via de transmissão do HIV atualmente é a sexual, segundo o Ministério da Saúde. Em 2015, o boletim epidemiológico do órgão trouxe dados sobre as formas de transmissão. A principal via é a sexual: 95,4% entre os homens e 97,1% entre as mulheres.

 

Entre os homens, o predomínio foi a categoria de exposição heterossexual, mas com tendência de aumento na proporção de casos em “Homens que fazem sexo com Homens” (HSH), nos últimos dez anos (de 34,9% em 2005 para 44,9% em 2014).

 

Diante desse contexto, você sabia que desde de 2010, o Ministério da Saúde recomenda o uso de medicamentos antirretrovirais (Profilaxia Pós-Exposição) como mais uma alternativa de se prevenir?

 

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Quando o assunto é HIV e Aids, é necessário manter-se atualizado, pois há mais de uma estratégia nessa batalha:

 

a) Camisinha – deve ser utilizada de forma correta, evitando deixar o “ar” ao colocá-la. Nunca deve ser usada mais de um preservativo no órgão genital. Pode-se escolher o uso de camisinha masculina ou feminina, mas nunca as duas ao mesmo tempo.

 

 

 

b) Profilaxia Pós-Exposição (PEP) – o uso de medicação antirretroviral, após contato com o vírus, pode reduzir as chances de infecção. Ex.: se a camisinha estourar e um dos envolvidos na relação sexual tem HIV, a pessoa que não tem o vírus deve procurar um serviço de saúde e fazer o uso de medicação por 28 dias. O ideal é que o uso desses remédios seja feito o quanto antes, não devendo ultrapassar o tempo de 72 horas após a relação sexual.

 

c) Profilaxia Pré-Exposição (PREP): uso contínuo de medicação antirretroviral antes de uma relação sexual pode prevenir a infecção por HIV. No Brasil ainda não está disponível no SUS, mas já existem sérias instituições públicas brasileiras pesquisando essa forma de prevenção.

 

 

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Tratamento:

 

Este ano o Brasil comemora 20 anos da regulamentação da Lei 9.313/1996, que garante acesso ao tratamento antirretroviral (TARV) de forma universal e gratuita.

 

O paciente com HIV, em tratamento antirretroviral e com carga viral indetectável, reduz em até 96% as chances de transmitir o vírus para alguém em sua relação sexual.

 

Além disso, o protocolo clínico para manejo da infecção por HIV em adultos, adotado pelo Ministério da Saúde desde 2013 – e atualizado em 2015, aponta que o início precoce da TARV tem um impacto direto na qualidade de vida.

 

Entretanto é importante ressaltar que o médico deverá informar ao paciente todas as informações indispensáveis para que o mesmo possa fazer uma escolha consciente.

 

*Salvador Correa é psicólogo, especialista em saúde coletiva, mestre em Saúde Pública e ativista do movimento de Aids. Atualmente coordena a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS e atua no acolhimento de pessoas recém diagnosticadas e escreve mensalmente para a Flesh-Mag.