Antonio da Silva: o coreógrafo da sexualidade na sétima arte

Publicado em: 1 de setembro de 2016

*Átila Moreno

 

Ele é português, tem 38 anos e não é um mero diretor que grava cenas explícitas que envolvem sexo. Pelo contrário.

 

Antonio da Silva insere, nos filmes adultos, suas principais referências cinematográficas e sua formação acadêmica que inclui dois mestrados em Londres. Um, em Artes Plásticas, e outro, em Dança.

 

O resultado: já são 19 filmes na bagagem que retratam o sexo e a sexualidade numa sintonia com a arte.

 

No início do ano, ele esteve no Brasil para filmar uma trilogia, durante o Carnaval. E pretende voltar e arrebatar ainda mais rapazes para seus próximos projetos.

 

Confira a conversa que a coluna “D&P com Átila Moreno” teve com ele. Puro tesão e arte no ar! Saboreie com toda calma do mundo.

 

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Não me considero um pornógrafo, mas, sim, um diretor que utiliza a experiencia pessoal e acadêmica para coreografar curtas-metragens com temas de sexualidade explícita.

 

AM – Como e quando começou seu interesse em realizar filmes sobre sexo e a sexualidade masculina?

 

AS – Sempre fui fascinado por sexo e sexualidade masculina. A minha frustração, a respeito de como estes temas estavam sendo explorados no cinema e na pornografia, foi aumentando e, por isso, decidi que isso seria o assunto principal dos meus filmes, nos últimos cinco anos.

 

AM – Quais são as principais influências (diretores e outros filmes) que você leva para os seus trabalhos?

 

AS – O pioneiro gay pornógrafo e diretor Wakefield Poole e os diretores Derek Jarman; Kenneth Anger; Fred Halsted; Bruce La Bruce e Travis Mathews. Há também o artista William E. Jones e o manifesto Dogma 95.

 

AM – Você tem um olhar muito próximo e ímpar a respeito do corpo masculino. De certa forma, seus filmes se assemelham a uma poesia pornográfica da beleza dos homens. Isso destoa muito das produções sobre sexo no mercado inclusive se tratando de todos os gêneros sexuais. Você sempre teve a real dimensão da contribuição disso tudo?

 

AS- Acho que ainda há muito o que explorar neste limbo inclusive o que há na beleza do corpo poético, que também pode ser erótico, e até mesmo pornográfico. O trabalho que tenho feito explora estes princípios e espero que, de alguma forma, isso incentive mais artistas a fazerem o mesmo.

 

 

AM – Te incomoda ser taxado de “diretor pornográfico”? Você não acredita que, a partir da aceitação desse termo, esse seu trabalho mais autoral poderia fazer com que a pornografia ganhasse outro olhar das pessoas?

 

Prefiro ser taxado como diretor de conteúdos sobre sexualidade masculina. Não me considero um pornógrafo, mas, sim, um diretor que utiliza a experiencia pessoal e acadêmica para coreografar curtas-metragens com temas de sexualidade explícita.

 

AM – O Antonio da Silva vê filme pornô? Quais tipos o excita? O que mais excita o diretor?

 

Sim, gosto de porno amador.

 

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Eu tive sorte de conhecer pessoas que ficaram muito à vontade com o corpo e com a própria sexualidade.

 

AM – De toda sua filmografia (19 filmes), quais você mais destacaria e por quê?

 

AS – Não consigo destacar nenhum em especial.

 

AM – Em Cariocas (2014), você abordou a sensualidade brasileira. Como surgiu a ideia de fazer um filme no Brasil? Foi a primeira vez que você visitou o país? Como foi esse contato?

 

AS – A ideia surgiu depois de ter encontrado a academia, ao ar livre, no Arpoador no Rio de Janeiro. Estava interessado em explorar a beleza deste espaço, junto ao mar, e os homens que malhavam naquele local.

 

AM – Por que você escolheu cidades como Rio e São Paulo para fazer a trilogia Brasil Solos, Brasil Jungle  e Brasil Mix? Tem interesse em continuar esse trabalho em outras cidades brasileiras?

 

AS – Escolhi São Paulo e Rio porque eram os locais onde eu tinha alguns contatos de pessoas interessadas em colaborar nos meus filmes. Como sabemos, o Brasil é bem conservador e, por isso, seria muito mais difícil encontrar participantes em cidades mais pequenas.

 

Após o lançamento dos filmes, recebi muitas mensagens de gente de várias partes do Brasil interessadas nos meus projetos futuros, por isso, pretendo, numa próxima vez que voltar, viajar a outros pontos do país, para trabalhar com essas pessoas.

 

AM – O que mais te chamou atenção na forma como as pessoas que vivem no Rio e São Paulo lindam com a própria sexualidade?

 

Eu tive sorte de conhecer pessoas que ficaram muito à vontade com o corpo e com a própria sexualidade.

 

Especialmente em São Paulo, acho que há muita diversidade e muitos homens com o interesse em explorar isso num contexto onde o explícito e o artístico se cruzem.

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AM – Quase todo diretor tem algum “muso” nas suas produções. Você tem alguém com quem trabalhou e gostaria sempre de filmar novamente?

 

AS – Eu gostaria de voltar a produzir mais filmes no Brasil e, num dos projetos, pretendo colaborar com os participantes interessados em explorar um filme poético com movimento e natureza.

 

A última vez que estive no Rio, tive a oportunidade de trabalhar um pouco disso com o Rafael Munhoz, mas gostaria de voltar ao país para fazer um filme que misture vários estilos de dança e espaços naturais.

 

AM – Existe algum artista que você gostaria de filmar em seus trabalhos? Ou te interessa mesmo as pessoas mais comuns do cotidiano? Por que?

 

AS – Gosto mais de pessoas mais comuns do cotidiano mas também me interessa colaborar com o Colby Keller.

 

Para conhecer os filmes do Antonio da Silva, acesse: www.antoniodasilvafilms.com.

 

*Átila Moreno é jornalista, com passagem pela TV Globo Minas, TV UFMG, Infoglobo e Universidade Corporativa do Transporte. É editor-chefe de conteúdo deste blog e escreve mensalmente para a Flesh-Mag.

*Foto de capa por Rafael Medina