Smell that!! Olfato e excitação sexual

“Cheirar a região púbica ou as axilas do parceiro também podem ser uma prática de entrega ou uma performance de submissão.”

*Gleiton Matheus Bonfante e Ton Dutra

O sexo é uma prática social na qual vários sentidos do corpo comparecem. O tato talvez seja o mais óbvio.

Muito embora se possa fazer sexo, sem sequer tocar o parceiro, como por telefone e por vídeo, há ainda o sexo tântrico que visa a troca de energia, em detrimento do contato.

Contudo visão, audição e olfato também participam dos jogos do tesão podendo ter seus estímulos ou a ausência deles invocados como fator de excitação.

Popularmente, o olfato é considerado o nosso sentido mais animalesco, em que mora nosso lado mais selvagem.

Justamente porque, no processo civilizatório da Idade Moderna, toda a animalidade humana foi rechaçada e com ela: os impulsos, a nudez e o tesão pelos cheiros do Outro.

Cheiros são inegavelmente unidades de sentido. Eles inauguram significados para os corpos, para os sujeitos e para a sociedade.

 

foto por Marc Martin

“Os cheiros afetam nossos corpos e nos levam da repulsa ao tesão.”

O mau cheiro masculino tem sido historicamente identificado com a fantasia de um homem rústico, viril, masculino, forte e dominador, ao mesmo tempo em que submeter-se aos cheiros do parceiro pode figurar como uma prática de submissão prazerosa.

Cheirar a região púbica ou as axilas do parceiro também pode ser uma prática de entrega ou uma performance de submissão.

Ademais, as axilas e a área genital são áreas erógenas cuja proximidade da boca e do nariz revela ser muito estimulante.

Contudo, a forma como os cheiros de nossos parceiros mais nos afetam é por meio de significados difíceis de abordar pela perspectiva da cultura, mas que não passam despercebidos a nossos corpos.

Os cheiros que tocam e afetam nosso corpo, despertando o bicho que dorme em nós, não é uno, mas sempre específico, sempre individual, como um impressão digital.

O cheiro é o maior responsável pela “química” entre os corpos, porque ele evidencia informações relevantes sobre o parceiro, sobre sua saúde e seus genes.

Os odores que nos atraem são feromônios, exalados pela pele por meio do suor, se concentrando, principalmente, nas axilas, virilhas e áreas onde moram os nossos amados pelos.

 

cheiros 1

“É aquele desejo voraz de mergulhar na axila peluda ou o tesão descontrolado ao sentir o cheiro de alguém após atividades físicas.”

 

De acordo com o escritor Luís Fernando Veríssimo, “o homem é o único animal que não suporta o próprio cheiro”.

Bom, não há como negar que o homem seja um animal, mas, por outro lado, o inebriante cheiro da genitália do parceiro pode fazê-lo perder a cabeça na cama e entregar-se completamente a um prazer sexual que é olfativo.

O encontro entre rosto e axila não se dá no sexo morno. O tesão por cheirar, sentir e provar a axila é, comumente, um dos sinais que você se entregou à excitação.

Cheirar e lamber, se asfixiar no sovaco de alguém, é se entregar completamente ao ato sexual.

Significa não apenas foder com a pica, ou com o cu, mas com a boca, as axilas, o nariz, com o corpo todo.

 

*Gleiton Matheus Bonfante é doutorando em Linguística Aplicada pela UFRJ e faz parte do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos de Discurso em Sociedade (NUDES). Escreve mensalmente para o blog da Flesh-Mag.

** Ton Dutra é formado em comunicação social pela UNB com ênfase em comunicação em mídias de difusão em pluralidade de classes.

***Foto de capa do Ensaio Closer Flesh

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