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Quando a noite chega e o coração escurece, o fauno procura se aquecer em devaneios mornos.
As cigarras anunciam a valsa de boa noite dos seres sombrios encantados...

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O corpo-canela rodopia nos ares, beija as flores e mastiga a água das folhas mais verdes
Agita a cabeleira e afia os cornos, numa sucessão de movimentos coreografados pela memória intuitiva de quem sabe das magias da floresta.
Tudo vira dança, tudo se torna um íntimo espetáculo;
pelo que arrepia,
boca-silvestre que lança hálito de fruta,
corpo que vira festa.

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O fulgor das nuvens reflete no fundo dos ariscos olhos-lince a calmaria de uma alma antiga e sossegada.
É pau, é fungo, é ciclo.
Quando os raios de sol viram roupa de despedida vespertina,
o fauno devagar se despe e se veste de terra e de pó de estrela.

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A luz se fez sombra, o sono já é sonho.

Flesh Moss

modelo Alma Negrot
fotos João Maciel & Rafael Medina
direção criativa Alma Negrot & Rafael Medina
Texto Alma Negrot