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“Quem diria, um jornalista, nos seus 31 anos, da tradicional família mineira, que sentava na primeira carteira
durante o período colegial, em uma cidade pra lá de provinciana, resolveu se aventurar pelas lentes da Flesh.

O ensaio foi regado a garrafas de cerveja e à porção de vapor, resultante de um corpo, em chamas transcendentais.

Tudo isso misturado a uma playlist sincopada por Madonna (precursora do mandanudes: quem nunca
quis ser/ter um Sex Book?), Lady Gaga, Miley Cyrus, Katy Perry, Lord, Lana Del Rey e Roxette.

O convite veio da forma mais espontânea e natural possível. Os mais desconfiados questionam
como pude me abrir, assim, para estranhos. Mas a primeira sensação é que os conhecia há anos.

Eu disse que, por morar em um conjugado tão apertado, provavelmente, não renderia boas fotos.
E também sei que meu pênis não se encaixa na síndrome descabida do falo grande que escraviza a cultura gay.

Engano. Sou mais um nu nesse prisma caleidoscópico de corpos da Flesh Mag: magros,
gordos, peludos, baixos, esbeltos, fortes, parrudos, musculosos, cortados.

Aconselho: a experiência cicatriza. Seca todo indício de baixa autoestima
e evapora o medo ou a caretice quando ambas teimam tangenciar.

Vá por mim: aceitar o nu e cru é um ato político, de liberdade, pra si mesmo.”

Closer Flesh

Modelo Átila Moreno
Fotos João Maciel & Rafael Medina
Direção Criativa Rafael Medina
Texto Átila Moreno