A lubrificação é vermelha e azul

*Carol Cronemberger

**Com edição e revisão de Átila Moreno e Ton Dutra

O lubrificante cai como uma luva já que estamos saindo da campanha que serviu para falar sobre a saúde do homem no Novembro Azul e, também, agora, neste mês que representa a campanha mundial da luta contra a Aids.

Ele é um item indispensável na hora do “roça-roça”, do “rala-e-rola”, independente se for usado sozinho ou com brinquedos e dedinhos. E tem tudo pra ser um aliado!

Muitas pessoas têm uma certa dificuldade de usar a camisinha, devido à falta de sensibilidade que ela pode causar, mas isso pode ser amenizado com essa ajudinha pra lá de escorregadia.

Além do conforto que proporcionam no ato sexual, o lubrificante previne possíveis machucados e infecções que causam fissuras, fístulas, hemorroidas, ou seja, a temida interdição do playground.

No mercado pode-se encontrar diversos tipos de lubrificantes: à base de água e glicerina, silicones ou óleos (vegetais ou minerais). Cada uma com suas vantagens e desvantagens.

Os produtos à base água e glicerina são os lubrificantes mais conhecidos, inclusive podem ser ingeridos, não atrapalhando o sexo oral. Podendo ser usados com todos os tipos de preservativos, esses lubrificantes com a base de glicerina sintética têm gostinho adocicado; os mais naturais são feitos com glicerina vegetal e têm um sabor amarguinho.

 

O cuidado que se deve ter com esses lubrificantes é que normalmente, por conter água, a fórmula traz parabenos como conservantes, que podem causar irritação a quem tem alergia. Uma saída é optar pelos lubrificantes mais naturais.

Lubrificantes à base silicone têm efeito mais duradouro, pois demoram para secar, mas são mais caros e, normalmente, são encontrados em sex shops. No entanto, podem causar um certo desconforto na pele, já que são derivados do petróleo.

Os lubrificantes minerais, como a vaselina, são os menos indicados para o uso. Há uma lista de motivos para não usar esses materiais no corpo: impregnam na pele; jamais serão absorvidos; intoxicam o organismo; dissolvem os preservativos de látex e só podem ser usados com preservativos feitos a base de nitrilo, poliuretano e poliisopreno. A única vantagem é que são baratos e muito fáceis de comprar.

E para aqueles que procuram soluções mais naturais possíveis para problemas mundanos, a lubrificação pode ser uma questão complicada.

Uma lubrificação “natural” significa usar óleos vegetais mas eles também podem danificar preservativos de látex, o tipo mais comum no mercado.

Por outro lado, se a camisinha for à base de outros materiais (olha o trio aí de novo: nitrilo, poliuretano e poliisopreno), não há com o que se preocupar.

Para as preliminares, os lubrificantes são os mais indicados, são 100% comestíveis e tiro e queda para massagens corporais.

Particularmente, recomendo alguns:

 

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1 – os óleos de oliva (usado por gregos, desde a Grécia Antiga);

2 – óleo de gergelim usado na Ayurveda, também, por muitos séculos, para tratar problemas de ressecamento e lubrificação e dão uma leve esquentada;

3 – o óleo de coco, queridinho da vez, é bactericida e tem gosto e cheiro agradáveis, mas tem um efeito um pouco mais curto que os óleos de gergelim e oliva. O ideal é misturá-los;

4 – o óleo de cânhamo, prensado a frio, mesmo não contendo THC (a principal substância psicoativa encontrada nas plantas da Cannabis), infelizmente, é proibido no Brasil, porém, lá fora, pode ser achado em lojas de comida natural. É um excelente e perfumado óleo vegetal para lubrificação.

O uso de óleos vegetais de boa qualidade é imprescindível. É importante também observar mudanças de cheiro que podem indicar que o óleo rancificou e não deve mais ser usado.

Se quiser acrescentar algum sabor e cheiro à misturinha, use a receita de óleo estimulante e afrodisíaco como ylang-ylang.

Há também aqueles que esquentam um pouco e dão um prazerzinho como o óleo essencial de hortelã, ou bactericida e cheiroso como a lavanda (são apenas 1 ou 2 gotas para cada 100ml de óleo).

Mas cuidado ao usar óleos essenciais, pois podem queimar a pele e nem todos podem ser usados internamente. Informe-se sobre o uso de cada um.

Ou se estiver programando aquele encontro animado, abra uma ou duas favas de baunilha num copo de óleo vegetal (pode ser coco, azeite, gergelim ou até uma mistura deles), esquente em banho maria e deixe descansar por quanto tempo der. O óleo vai ter um leve gosto de baunilha e além de um lubrificante bom e natural, o cheiro fica irresistível.

*Carol Cronemberger é física formada pela UFRJ, com doutorado em Magnetismo e Fractais pelo CBPF (RJ, BR) e Institute Néel (Grenoble, FR), e pós-doutorado em Bioinformática na Universidade de Amsterdam. Foi engenheira de Software em Eindhoven (NL) e estagiária na Universidade Técnica de Dresden. Aproveitou essa bagagem para aprender tudo o que podia sobre cosmética natural. Voltou ao Brasil pra ensinar a proteger o corpo e o planeta do consumo de cosméticos sem consciência. Mora e trabalha no Rio de Janeiro, com sua filha, quatro gatos e amigos de infância.

** Átila Moreno é jornalista, com passagem pela TV Globo Minas, TV UFMG, Infoglobo e Universidade Corporativa do Transporte. É editor-chefe de conteúdo deste blog e escreve mensalmente para a Flesh-Mag.

**Ton Dutra é formado em comunicação social pela UNB com ênfase em comunicação em mídias de difusão em pluralidade de classes.


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